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IA, MT, NMT, DL, Big Data e os artífices das palavras

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Há alguns anos que temos ouvido, cada vez mais, sobre o movimento em torno das traduções computadorizadas, também chamadas de automáticas. Muito vem sido dito, especialmente sobre o resultado deste movimento no mercado e do surgimento de novos nichos, novos tipos de serviços e documentos, novas frentes de trabalho, alguma redução de volume de serviço (embora os relatórios frequentes de empresas sérias mostrem que os valores bilionários, em dólares e euros, para os próximos três a cinco anos sejam indicativos que o mercado está, de fato, aquecido e com falta de pessoal qualificado) e de valores por palavra (ou qualquer que seja a medida com que este ou aquele profissional trabalhe). Isso sem mencionar uma possível obsolescência da figura do profissional de tradução e até de interpretação.

O uso de novas tecnologias, advindas ou não de grandes montantes de dados estruturados, seja por algoritmos ou de outro tipo qualquer, é inevitável. O mercado automobilístico sentiu isso bem de perto. Anos atrás, quando surgiram os robôs capazes de transportar, posicionar e soldar com perfeição partes de veículos em linhas de produção, muitos empregos foram atropelados pela tecnologia. Muitos ex-funcionários buscaram novos saberes e colocações no mercado. Com efeito, aqueles que não se dispuseram a procurar um meio de evolução neste cenário talvez não tenham tido tanta “sorte”. Mas vejam que aqui falamos de um mercado muito maior do que o das palavras. O mercado automobilístico não trabalha, por exemplo, com nichos do tipo good is good enough, que a maioria dos colegas já conhece ou já ouviu falar. Ainda há um grande mercado, embora seja uma área um tanto cinza, que faz uso de sistemas não tão bem alimentados e/ou azeitados, que precisam de um bom tempo de pós-edição e, mesmo com os valores oferecidos para tal demanda, atendem a uma fatia considerável de profissionais, trazendo grande volume de serviços. 

Estamos, ainda, vivendo um tempo em que a mudança de ritmo e um pouco da direção do mercado tem trazido serviços diferentes dos de antigamente. No lugar de serviços de tradução de 1.000 palavras/dia a US$ 0,10 por palavra, totalizando US$ 100 por dia, há por aí serviços de 5.000 palavras/dia de pós-edição a US$ 0,02 (podendo chegar a US$ 0,04), o que dá os mesmos US$ 100 por dia, talvez US$ 400 por dia. A qualidade pedida é aquela mencionada acima, no nível good is good enough. Não, isso não quer dizer que a tradução trará erros crassos ou mesmo pecará na compreensão, mas certamente será um documento com uma versão mais simples do idioma de chegada. Sem exageros, claro. Há um certo grupo de profissionais que acha isso inaceitável, pois “tradução é arte”. Uma analogia simplista ao extremo seria uma comparação com o “futebol de hoje em dia” e o “futebol-arte dos anos 70”. Dribles desconcertantes de Garrincha e bicicletas perfeitas de Pelé são coisas raras nos jogadores atuais. Mas o jogo continua sendo jogo, entretenimento. O resultado foi afetado de fato? É algo para se pensar.

O momento de crise econômica que há por aí talvez seja uma boa oportunidade para pesar e considerar se realmente o volume de trabalho, com valores ofertados um tanto menores, mas praticamente com as mesmas horas trabalhadas (alguns bons profissionais têm dito até que a carga horária tem sido menor) pode ter, senão o mesmo valor diário, um outro talvez até mais alto. Considere se o cálculo lá do início faz sentido. E isso sem afetar a qualidade do documento final. Outro dia, li um texto cujo título é “Como simplificar um texto científico”. As palavras-chave para pesquisa, além do título, são “rapadura é doce”. Divirtam-se com a leitura e, depois, pensem neste texto em conexão com o artigo.

Um último comentário sobre o texto acima: ninguém é obrigado a aceitar como verdade o que é dito aqui. Na verdade, este artigo nasceu de discussões recentes e acaloradas, que surgem de tempos em tempos entre colegas em grupos e nas redes sociais sobre o “fim do ofício”, quando na verdade há outras formas de ver a evolução do ofício. E essa é apenas uma de muitas outras etapas que virão ao longo dos tempos, enquanto a tecnologia desenvolve novas frentes e traz novos resultados. É puramente para fins de reflexão, justamente aproveitando o gancho dos Congressos da ABRATES, onde tantas cabeças pensantes e tantos colegas têm a oportunidade de debater assuntos importantes para toda a classe.

ANTENADO

** Neural Machine Translation As pesquisas da Lilt, por exemplo, apontam para o desenvolvimento de novos modelos personalizados de alta qualidade. Na China, a Tencent trabalha com o aprendizado com ênfase na adequação, e também num modelo chamado DTMT (Tradução Automática de Transição Profunda).

** A Apptek, líder no mercado de inteligência artificial, aprendizado de máquina, reconhecimento automático de voz e tradução automática recentemente anunciou grande aprimoramento de sua plataforma de tecnologia de linguagem com suporte às necessidades das indústrias de mídia e de entretenimento. A empresa desenvolveu um modelo que supera os desafios de segmentação de legendas. O modelo unifica as previsões de rede neural e as regras manuais, de forma que a segmentação de legendas, unicamente com base nas pausas da voz, agora pode ter unidades semânticas. Espera-se com isso reduzir a pós-edição de legendas, levando os resultados de reconhecimento de voz e de tradução automática ao nível de qualidade exigido pelos clientes dessas indústrias. (Fonte: site da Apptek.)

O mercado de tradução automática tem mostrado crescimento exponencial por meio do setor automotivo. Esse crescimento se dá em razão do aumento do uso em aplicações do mercado automotivo, como tradução de manuais, documentação técnica, catálogos de peças e sites de empresas do setor. É apenas um exemplo desse crescimento. Há uma grande necessidade de erradicação de barreiras linguísticas em diversas áreas, como corporativas, hospitais, turismo e outras indústrias, o que tem estimulado o desenvolvimento da tradução automática.

 

Sobre o autor

Sidney Barros Junior é tradutor e intérprete inglês – português de maquinário pesado, O&G, engenharias elétrica e mecânica, energia renovável, especializado em material rodante (metroferroviário). Experiência de mais de 20 anos no mercado de tradução e 10 anos no de interpretação. Consultor de terminologia técnica.

 

 

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25 jan, 21